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A
época atual caracteriza-se pelo desenvolvimento da
tecnologia e da ciência em todos os ramos de conhecimento
e transformações sociais que exigem da escola
uma nova postura, em relação ao saber, veiculado
às abordagens metodológicas do ensino e da aprendizagem.
Muitas vezes, decifrar o aluno, seu modo de pensar, agir,
se comportar, torna-se um desafio cotidiano no espaço
escolar, como também, propor situações
envolventes que contemplem os diferentes tipos de aprendizagem.
Assim, a escola precisa planejar ações educativas
que apóiem o desenvolvimento integral dos seus alunos
e promover aprendizagens significativas, a fim de que estes
possam atuar na sociedade como pessoas autônomas, criativas,
éticas, solidárias, participativas, observadoras,
comunicativas e críticas.
Frente
a esse desafio, a escola necessita redimensionar a sua prática
para que seja adequada às necessidades sociais, políticas,
morais, econômicas e culturais da realidade brasileira,
considerando os interesses e motivação dos alunos
e garantindo as aprendizagens essenciais para a formação
de cidadãos capazes de atuar com competência,
dignidade e responsabilidade na sociedade em que vivem.
É
nessa atmosfera de transformação que o Colégio
Padre Ovídio repensa a sua prática pedagógica
e busca fundamentos teóricos que possam embasá-la.
E, como resultado de estudos feitos a respeito das teorias
e correntes de pensamento que possam dar conta desses desafios,
concluímos que o sócio-construtivismo fornece
o suporte que mais fundamenta e enriquece a nossa prática.
Esta
corrente faz uma convergência entre as idéias
do russo Lev Vygotsky (1896-1934) e do suíço
Jean Piaget (1896-1980). Ambos acreditavam que a construção
do conhecimento pelo aluno acontecia por meio da vivência
simbólica, da interação dialética
entre o sujeito e o meio e da sua relação com
os conteúdos de aprendizagem. Essa concepção
implica, ainda, o entendimento de que a aquisição
do conhecimento se dá não pela imposição
de conceitos, valores e procedimentos, mas pela interpretação
da realidade e construção de significados e
sentidos.
Nessa
vertente teórica a aprendizagem é entendida
como um processo construtivo e contínuo; a aquisição
do conhecimento é feita a partir de outro anterior,
o que a concepção vygotskyana denominou de conhecimento
prévio. Assim, os conhecimentos prévios dos
alunos são vistos como um ponto de partida para os
novos conhecimentos a serem adquiridos. Frequentemente, eles
são levados a fazer induções, inferências,
comparações, sínteses e análises
dos conteúdos. Esse esforço de ação
e reflexão possibilita ao aprendiz assimilar novos
conhecimentos. Além de contar com o seu próprio
conhecimento, o aluno necessita da interação
com outras pessoas para desenvolver novos conceitos. Necessita
também de um ambiente propício em que seja desafiado
e estimulado a buscar soluções e a trocar idéias.
Segundo Vygotsky (1984), “o processo de aprendizagem
inclui sempre aquele que aprende, aquele que ensina e a relação
entre as pessoas”.
Conhecimentos
prévios, Zona de desenvolvimento proximal, assimilação/acomodação/adaptação,
relação entre pensamento e linguagem, formação
de conhecimentos espontâneos/formação
de conhecimentos científicos, maturação,
autonomia, ambiente cultural, sujeito ativo e interativo,
mediação no processo de aprendizagem, interação
social, estágios do desenvolvimento cognitivo, são
conceitos importantes na concepção sócio-construtivista
e que apontam caminhos para o professor potencializar o processo
de ensino e de aprendizagem de forma significativa e inovadora.
Neste
contexto, o professor é visto como alguém que
viabiliza o desenvolvimento das habilidades cognitivas do
aluno, respeitando o seu estágio evolutivo. Sua tarefa
é orientar os aprendizes de modo que reavaliem seus
pontos de vista, confirmem ou refutem suas hipóteses
e se coloquem criticamente diante das diversas situações
de aprendizagem. Dessa maneira, o professor assume papel de
mediador do conhecimento.
O
aluno, enquanto sujeito histórico inserido no mundo
social, é o centro de todo o processo, considerando
que este possui um repertório de conhecimentos ao entrar
na escola e continua nessa construção. É
aquele que aprende, junto ao outro, o que o seu grupo social
produz, tal como: valores, linguagem e o próprio conhecimento.
Na sala de aula, o aluno assume um papel ativo capaz de construir,
reconstruir e reelaborar significados e conceitos que lhe
são transmitidos.
À
luz das idéias e dos conceitos dessa corrente pedagógica,
a nossa escola ressignifica a sua maneira de organizar o currículo,
o seu fazer pedagógico, o processo de avaliação
e as suas relações sociais na comunidade educativa.
Interdisciplinaridade, transversalidade, pedagogia de projetos,
oficinas interativas, oficinas literárias, produção
de escrita, dinâmicas de grupo, tecnologia de informação
e comunicação, experiências, pesquisas,
trabalho de campo, viagens, gincanas, passeios, grupos de
estudo, mostra de filmes e de artes, utilização
de jogos educativos na sala de aula, figuram entre um grande
número de situações didáticas
realizadas em nossa escola que estimulam a construção
do conhecimento e a aprendizagem significativa.
Diante
desses pressupostos a escola oferece condições
para que o aluno seja sujeito do seu próprio conhecimento,
percebendo-se parte de um processo dinâmico, estimulando
a operar com idéias, analisar os fatos e sugerir respostas
para os problemas da realidade.
É
importante salientar que os nossos alunos estão inseridos
numa sociedade onde as informações e as mudanças
ocorrem com muita rapidez e de diversas formas. A escola precisa
acompanhar o ritmo da sociedade na qual atua com propostas
inovadoras, para que se torne um espaço democrático
na construção do saber e, ao mesmo tempo, um
espaço prazeroso, acolhedor, de integração
e de múltiplas relações sociais. A escola
precisa, também, respeitar cada indivíduo com
suas particularidades, com seus limites e potencialidades,
aceitando a diversidade e estando sempre aberta para enfrentar
os desafios do cotidiano.
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