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Sustentável leveza de ser

Vida plastificada

SACOLAS PLÁSTICAS SUFOCAM ANIMAIS MARINHOS, ENTOPEM TUBULAÇÕES, SOBRECARREGAM DEPÓSITOS DE LIXO E VÃO POLUIR O MUNDO DURANTE SÉCULOS. O QUE ESTAMOS ESPERANDO PARA NOS LIVRAR DELAS?

Nunca me passou pela cabeça que algum dia senti­ria falta das aulas de Química Orgânica que cabu­lei no colegial. Mas foi o que aconteceu quando resolvi pesquisar na internet por que as sacolinhas plásticas se tornaram inimigas do meio ambiente.
Cavando entre expressões como “cadeias de carbono” e “pe­tropolímeros”, descobri que o primeiro plástico sintético foi pa­tenteado em 1855 pelo inglês Alexander Parkes. E logo soube que provavelmente as obras de Mr. Parkes ainda devem estar inteirinhas por aí, já que o prazo estimado para que esse mate­rial se desfaça é de no mínimo 200 anos! Alguns sites chegam a citar vestígios que duram mais de mil anos. A minha dúvida é: como eles já sabem disso, se desde a invenção da tal coisa ainda não se passaram nem dois séculos?
A triste realidade é que não só os diamantes são eternos. As sacolas plásticas protagonizam um verdadeiro show de horror. Calcula-se que entre 500 milhões e um trilhão delas são fabricadas todos os anos no mundo. Menos de 1% vai para a reciclagem, por uma questão matemática: sai muito mais caro refazer sacolinhas a partir das velhas do que fabricar no­vas. Com isso, lixões ficam abarrotados de plástico e oceanos já estão contaminados com cerca de 46 mil sacos por milha quadrada, matando por asfixia muitos animais marinhos.
Se eu já tinha alergia aos tais saquinhos, esse banho de informação me deixou à beira do pânico. Há mais de 10 anos costumo recusá-las em lojas. No supermercado, pego as frutas uma a uma e levo para pesar sem embrulhar. Minhas compras viajam até a despensa em velhas sacolas de lona. Só que os sacos plásticos estão vencendo a guerra: simplesmente bro­tam em todos os cantos da casa. Quase tudo o que compra­mos vem plastificado. Jornais, revistas, pão de forma, presentes de aniversário e até os vegetais da cesta orgânica! Tentamos fazer com que nenhum saco seja jogado fora sem antes ser utilizado. Os grandes embalam a sucata destinada ao cami­nhão da coleta seletiva. Os pequenos viram lixo de banheiro ou guardam brinquedos das crianças. Com eles recolho o co­cô do meu cão, Nino, e forneço outras para passeadores de cachorro fazerem o mesmo. Mas o estoque nunca acaba…
Sinceramente, não sei o que acontecerá se a invasão das sacolinhas não for contida. O governo de Bangladesh, depois de enchentes devastadoras pelo entupimento da rede de es­gotos por sacos plásticos, decidiu bani-las. Na China, a distribui­ção gratuita de sacolinhas no comércio já foi proibida, assim como na cidade de San Francisco. A Irlanda criou um imposto sobre essa praga e seu consumo caiu em 90%. E nós, o que es­tamos esperando para tomar uma atitude e não legarmos aos nossos filhos um mundo forrado de sacos plásticos?

CLAUDIA VISONI, é jornalista e trabalhou em diversas revistas. Em 2003 fundou sua própria empresa: a Conectar, que atua nas áreas de comunicação institucional, consultoria editorial e marketing.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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